Hoje o dia amanheceu cinza, mas eu colorida.
As calçadas que pisei, todas elas refletiam um azul céu único e insubstituível. Os portões verdes e magentas pelos quais passei abriam e fechavam espalhando brisa morna com odor suave por todos os lados, parecia até torta de morango recém tirada do forno. O cheiro do pão fresquinho na casa daquela senhora me fez recordar a casca crocante e amarelinha. Quente, quente! Com manteiga em tons suaves derretendo, amaciando, deliciando.
O parque é o mesmo, mas hoje ao longo do mesmo encontravam-se flores multicoloridas a cada meio metro. Contei todas, no total 257 e mais algumas pétalas perdidas entre as gramas. Puras, belas, suaves. Foi-se o parque, com todo o seu caramelo e vermelho sem igual.
Virei na segunda esquina, à direita. Mais alguns metros de cores que só eu via, de janelas e portões que só para mim abriam-se. Parei para amarrar o cadarço, uma borboleta pousou no meu nariz. Sorri. Ela sorriu de volta e voou batendo suas belas asas em tons pastéis cintilantes.
O fachada da padaria era rosa e suas portas creme. A pequena farmácia amarelo ouro, com rabiscos laranjas e respingos pretos, bem pequenos.
Respirei profundamente, passei pelo enorme muro da escola carmim, desliguei meu player mental e finalmente cheguei ao meu destino.
Estamos no meio da tarde e a chuva continua. O céu escureceu. As janelas se fecharam.
Mas minhas cores ainda não saíram do lugar.

Mantenha as cores, sempre. O céu continua azul atrás das nuvens de chuva e das janelas fechadas. =***