E eu sai de lá assim, como quem não sente o chão sob os pés. Perplexa, perdida, sem rumo. Assustada até, mas ainda assim meio que com anestésico nas veias, percorrendo o corpo inteiro. Único pensamento: fugir. Mas, para onde?
Não tem para onde…
E então eu segui por um caminho qualquer, olhando as ruas, os rostos, os gestos, as cores e movimentos. Observando cada detalhe, meio que tentando fazer parte daquilo tudo. Na realidade eu era. Eu sou. Você é…
Senti o ar quente vir de encontro ao meu rosto, a luz forte do sol incomodar meus olhos, os carros passarem, eu olhar para um lado… para o outro… e enfim, atravessar. Com paciência, sem pressa. Mais cedo ou mais tarde eu chegaria onde precisava. Então, pra que correr?
Cheguei. Parei. Senti…
Um peso, quase que gigantesco sobre os ombros. Respirei fundo e percebi que a cabeça não pensava mais, só sentia… doer. Me imaginei por mais algum tempo assim, e acabei não concebendo mais esse tipo de pensamento.
Deitei.
Dormi.
Acordei.
Conclui então, que o fardo não é dado a quem não consegue carregar. E é devagar que eu vou chegar lá. E de repente, tudo passa. Outros vêm e todo o ciclo se completa, dando início a outro, e outro, e mais um, dois, três…
Porque, o importante mesmo, é ter onde chegar.
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