Mesmo quando achamos que estamos passando pelo piores momentos de nossas vidas, devemos acreditar que estes são os melhores. Cresci pensando que somos melhor construídos em meio as dificuldades.
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Acho que nunca fui tão má antes como me sinto agora. Não aquela maldade que machuca descaradamente, mas sim aquela que deprime lentamente, definha, tira a vida. Preciso parar de envenenar tudo ao meu redor e deixar que os dias de sol sejam dias de sol, e não turvos e frios. Preciso me reencontrar com o meu lado bom e perguntar porque ele foi tão fraco, tão covarde e omisso. Com essa dúvida eu não durmo mais.
Eu quase chego a acreditar que boa parte das minhas relações são baseadas em interesses próprios, não da minha parte, mas sim das outras. Mas daí eu vejo que não vale a pena se aborrecer com isso.
O que o tempo trás, ele também leva embora.
Hoje eu chorei ao ver o caminhão da Coca-Cola. Na verdade eu engoli o choro em meio a tantas crianças sorridentes olhando aqueles caminhões cobertos de luzes e um papai noel simpático acenando para todos. Eu não sei porque chorei, mas chorei. Eu chorei até ao ouvir as buzinas. Me retorci inteira dentro de mim mesma, me escondendo das minhas emoções e sentimentos mais obscuros, ouvindo uma música que eu nem lembro a letra, mas que tocou bem lá no fundo. Como assim eu chorei vendo aquele caminhão?
Essa época do ano tem sido cada vez menos cheia de luz de uns tempos para cá. Envelhecer apaga o Natal? Mas, eu ainda quero acreditar no Natal! Eu ainda quero acreditar que pode ser uma época durante a qual as pessoas refletem sobre o real valor de suas vidas e o real sentido de estarmos aqui. Quero acreditar que estar bem significa estar com quem amamos, e não necessariamente ter coisas ou dar coisas que as pessoas nem precisam. Ainda quero acreditar que corações partidos e desesperançosos possam ser reconstruídos e que sorrisos possam surgir em meio a tanta dor.
A vida anda desordenada ao meu redor. A vida anda desordenada dentro de mim. E talvez tenha sido essa desordenação toda que me fez chorar vendo um caminhão enfeitado com luzes que tocava uma música que eu nem lembro a letra.
minha poesia anda tão capenga, arrastando a perna, com chinelo furado e dedo no chão.
minha poesia anda magrinha, com os ossinhos dos ombros aparecendo, cabisbaixa…
… com vergonha de olhar nos olhos das pessoas.
e eu que sempre tentei cuidar bem dela…
falhei.
precisamos de um médico de poesias, urgente!
Às vezes o único lugar no qual precisamos estar é aquele que a nossa imaginação nos leva…
meus dias se arrastam entre cafés e promessas não cumpridas
a casualidade da vida não cabe mais nos poemas
os olhos secos não mais esperam pássaros na janela
acho que cansei de estar, preciso ser
ser mais eu, ser mais alguém
tem dias que tudo parece acontecer do jeito errado
quando na verdade erradas mesmo foram as promessas
Hoje eu senti vontade de te abraçar e esquecer das coisas que nos magoam e que trazem pra as nossas vidas o choro que engolimos em silêncio na companhia do travesseiro. E não, eu não estou particularmente triste, mas acho que a tristeza sempre estará com as pessoas que pensam demais sobre a própria existência.
Só que hoje eu gostaria de não pensar em nada… só sentir a vida em seus pequenos e infinitos detalhes.
Cheiro de café fresco em manhã de domingo.
Preguiças entre um olhar e outro.
O bolo quente em cima da mesa.
O silencioso barulho do vento nas folhas das árvores.
O mundo lá fora dorme.
Os melhores momentos são despidos das nossas pretensiosas intervenções.
O relógio sinaliza 10:03.
Eu mentalizo 17:30.
Meu coração quer todas as horas do mundo com ele.
Eu quero estar onde não estou.
O dia está lá fora.
Eu estou cada vez mais aqui dentro.
Quando as palavras enroscam nos dedos e esquecem o caminho que devem seguir, logo penso que ou é felicidade ou é decepção. Enquanto a primeira entorpece, a segunda anestesia. Mas uma anestesia que ao mesmo tempo esteriliza e suga toda e qualquer palavra amedrontada que tenta se esconder para conseguir escapar. Os olhos percorrem a tela em branco sem nada enxergar, enquanto os dedos tropeçam nas teclas já desgastadas, sem letras, sem números, sem nada.
A madrugada vem, e com ela as alucinações de quem um dia acreditou em verdades inventadas. Muito bonitas, mas inventadas. Cada fábula nasce com uma finalidade incrustada em suas entrelinhas. Quem demora pra entender, também demora pra esquecer. E nesse ciclo de entendimentos e esquecimentos, vou deixando as impressões tomarem o espaço das palavras fugidias, que se perdem em cada gota de razão que escoa ralo abaixo.
Na maioria das vezes não é a vida que está ruim ou desordenada, mas sim a forma como a encaramos e como lidamos com as nossas expectativas.
Estou me esvaziando de mim, pra poder encher novamente só com o que o meu coração sente saudade e alegria ao lembrar.
Você eu nem tirei.
Eu também estou cansada. Cansada de ver as mesmas histórias se repetindo a cada dia. Os mesmos erros, os mesmos tropeços e no final, o mesmo conjunto de mágoas colecionado ao longo dos anos.
Ninguém está disposto a fazer diferente. Ninguém.
Nascemos para repetir e fazer mais do mesmo em um círculo vicioso baseado nos próprios interesses.
Somos meros animais irracionais lutando para ser o que não somos e acreditando que a nossa pseudo superioridade nos diferencia dos demais.
Um mundo termina, outro começa e continuamos assim, sem evoluções.
Não adianta pensar que um dia será diferente.
Não adianta.
Há dias em que sentimos a terrível necessidade de falar, falar e falar, mas sem que exista alguém do outro lado para ouvir ou responder. Chego a pensar que são as palavras querendo ecoar pelos quatro cantos sem que existam outras palavras com as quais colidirem.
