.aversão a si mesmo

E ela não sabe o que fazer com tanta sensibilidade. É de um tamanho assustador e parece não pertencer a essa realidade distorcida que prevalece acima de qualquer esperança de mudança. Todas as portas se fecharam subitamente. A raiva de pequenos momentos solitários corrói o que de melhor existe, transforma em pó. Dores, muitas dores em cada osso do corpo e em cada pedaço de carne que deteriora com o tempo. Os pensamentos queimam a razão como se fossem pequenos gravetos jogados pelo chão, insignificantes. Dói ser assim. E sabe que ser assim a machucará indefinidas vezes. A solução se perde entre ideais afundados em superficialidades. Superficialidades. Nascer assim. Viver assim. Morrer assim [?]. A mudança que ela vê não lhe traz significados. Não faz sentido. Deixa de existir no exato momento em que surge na fina linha do horizonte de suas reflexões.

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